quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Cultura Digital por Karoline Fortunato D’Avila Darossi

De acordo com o sociólogo espanhol Manuel Castells, em dossiê publicado pela revista Telos, a Cultura digital pode ser definida em alguns tópicos:
Habilidade para comunicar ou mesclar qualquer produto baseado em uma linguagem comum digital; Habilidade para comunicar desde o local até o global em tempo real e, vice-versa, para poder diluir o processo de interação; Existência de múltiplas modalidades de comunicação; Constituição gradual da mente coletiva pelo trabalho em rede, mediante um conjunto de cérebros sem limite algum. Neste ponto, me refiro às conexões entre cérebros em rede e a mente coletiva.

Contextualizando com o texto “Cultura Digital”, é possível verificar um mundo de novas possibilidades por meio dessa comunicação, digital, binária e lógica que vêm transformando a sociedade na velocidade de um clique. Indo mais além, pode-se definir cultura digital, como um conjunto de representações sociais que produzem uma técnica que nesse caso, seria o processo de digitalização, como cita a Professora Léa Fagundes, a nossa época atravessa uma mudança de cultura, “passando da cultura industrial para a cultura digital”, onde o digital é definido como “numérico” vem de dedos, a linguagem 0 e 1 do computador. Portanto, a cultura digital, nada mais é do que a representação do mundo virtual no nosso cotidiano.
Nesse âmbito de cultura digital, esclarecer o que seria convergência de meios, cultura participativa e inteligência coletiva transforma-se numa tarefa mais fácil, no sentido de que a primeira ocorre nos cérebros e nas interações sociais através da comunicação virtual, portanto é ela que permite que esse consumo seja transformado em produção e assim, incentiva a participação e a inteligência coletiva, onde ocorre uma interação da ação humana com os meios. Dessa maneira a cultura digital possibilita a participação de todos conforme as suas necessidades na construção do conhecimento, criando uma postura ativa e de troca de saberes, que culminam na união dos conhecimentos, compartilhamentos e conexões entre partes das informações. Nesse mundo virtual, todos somos protagonistas da história.
Um exemplo prático de convergência dos meios e da cultura participativa é a música utilizada para estudo, Pela Internet de 1996, do cantor Gilberto Gil, no qual ele cita que deseja fazer sua home page e se questiona inúmeras vezes, “com quantos gigabytes se faz uma jangada”, nesse momento, ele ainda vê a internet no futuro, deseja “entrar na rede” e compartilhar suas mensagens, se questionando se essa tal “internet” é capaz de levar seus recados, no entanto, vinte anos mais tarde, podemos dizer que Gil passou por uma convergência de meios onde as interações sociais por meio do digital provocaram algumas mudanças no seu modo de olhar essa sociedade, e adotou dessa forma, uma postura mais ativa, no qual ele cita na música Pela Internet 2 “lancei minha home page” e agora não se questiona mais com quantos gigabytes se fazem uma jangada, mas afirma, que apenas 5gb já fazem o barco velejar, que novas invenções acontecem a cada dia e cada vez mais aplicativos vão surgindo e possibilitando a nossa navegação, enquanto em 1996 ele queria entrar na rede, hoje, ele está preso na mesma, como um “peixe pescado” e assim é a sociedade de hoje, presa na nuvem, nas interações sociais, no mundo virtual, nas possibilidades que estão na palma da sua mão, portanto, como diz Gilberto Gil “eu não posso ficar sem conexão”.
Nesse contexto, insere-se a Cibercultura proposta por Pierre Lévy que nada mais é que a cultura que surgiu através do uso da comunicação virtual, ou seja, também uma cultura digital em que temos a figura da inteligência coletiva novamente, como fonte de equilíbrio entre a cooperação e a competitividade que para Lévy se define como troca de ideias e a liberdade para confrontar pensamentos opostos, sendo assim, um processo social de construção coletiva que é extremamente favorecida pelas tecnologias atuais e interfaces, os nossos instrumentos de comunicação com o mundo virtual.
Por fim, tudo se encaixa como num grande quebra-cabeça, temos a definição de cultura digital que nos remete à uma convergência de meios, onde absorvemos o digital transformando nossas interações sociais e que incentiva a participação e a inteligência coletiva, no qual somos protagonistas das informações, alterando-as conforme as nossas necessidades, o que enfim, vai atingir a inteligência coletiva, ou seja, a troca de saberes que induz à um processo social coletivo, que para Lévy, seria a disseminação do conhecimento que se desenvolveu na medida que a linguagem evoluiu, gerando assim, as ideias como o capital mais importante nos dias de hoje e que só pode ser alcançado quando todos contribuem para essa construção, aí a importância da inteligência coletiva.

Fontes de estudo:

1. Livro Cultura Digital, autoria dos Professores André Dala Possa, Carlos Alberto da Silva Mello,  Eli Lopes da Silva e Igor Thiago Marques Mendonça.
2.  Página eletrônica Cultura Digital - http://culturadigital.br/conceito-de-cultura-digital/
3. Página eletrônica Webinsider - https://webinsider.com.br/a-inteligencia-coletiva-segundo-pierre-levy/

Karoline Fortunato D'Avila Darossi - Polo Joinville

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